domingo, 14 de agosto de 2011

Espelho, espelho meu...


Como quando alguém vê a própria imagem refletida na superfície de um lago, assim também acontece em nossa vida de relação.

As imperfeições contidas em minha superfície se refletem na superfície do lago, acrescidas das ondulações próprias do lago, deformando ainda mais o reflexo da minha imagem.

O Ego é minha superfície, a minha imagem, e o reflexo dele se dá no ego do outro que é a superfície do lago.

Passamos grande parte da vida deslizando sobre a superfície de um lago, ou de um rio, em pé sobre uma tábua, esforçando-nos para nos manter equilibrados.

Enquanto o nosso olhar estiver confinado à imagem refletida, estaremos impedidos de ver os tesouros ocultos nas profundezas do lago e o nosso comportamento sempre terá, no reflexo da superfície, uma fonte a cobrar reação.

Porém, instabilidades, trechos acidentados, intempéries atmosféricas tendem a destroçar a tábua que nos mantém ilusoriamente ilesos sobre a superfície.

E somos levados a mergulhar...

Nem sempre tais instabilidades provêem, exclusivamente, de fatos exteriores. Muitos fatos encontram amplificação numa subjetividade atraída pelo mergulho, atraída ao descobrimento do tesouro.

Já com a tábua destroçada, tragados pelo redemoinho, passamos a ver o nosso redor de dentro do lago, de dentro do rio, não mais pela superfície.

Ficamos de tal maneira tomados por este ambiente aquático, por este elemento líquido, que somos surpreendidos pelo afloramento de nossa natureza anfíbia, tão reminiscente do ventre materno, onde todas as nossas necessidades eram fartamente supridas.

E ao invés de nos debatermos para não nos afogar, somos abarcados pelo respiro de uma qualidade única de oxigênio, algo como – atrevo-me a dizer – o Sopro da Vida, o alento de todos os reinos.

Liban Raach

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