terça-feira, 23 de agosto de 2011

Esconde-esconde



Com exceção dos sensitivos, é impossível adivinhar o que o outro está pensando. Portanto, o que passa em nossos pensamentos fica às escondidas.

Passei anos temendo ser recriminado pelos meus pensamentos, sem que contivessem algo de anti-natural ou de pecaminoso neles.Temendo olhares fixos por acreditar que pudessem ler meus pensamentos. Refém desta crença e deste medo, os melhores anos de minha vida se passaram – os da minha juventude – sem que houvesse uma participação mais integral do meu Ser nas minhas deliberações.

Daí, nenhuma deliberação vingava. Nenhuma obtinha resultados satisfatórios. Os resultados sempre ficavam aquém das expectativas. Pois tanto as expectativas quanto as deliberações estavam ‘viciadas’. Permitam-me explicar: estavam inseridas em um contexto vicioso, quais sejam o medo e as crenças escravas.

Entretanto, aos poucos percebia que a mente funcionava como mero veículo. Quanto mais eu me acreditava dono do conteúdo da minha mente, menos propriedade eu tinha sobre a dinâmica das emoções despertadas. Aquilo que muito ouvimos, lemos, vemos e assistimos acaba por transformar o que somos; ou melhor, transforma-nos no que não somos e acaba com o que somos.

A mente é uma antena ultra-sensível de rádio-TV embutida, por onde captamos toda espécie de ondas cerebrais emitidas, mesmo pelo mais longínquo dos habitantes da face terrestre, mesmo no mais profundo esconderijo. Por isso, fica difícil determinar o proprietário de uma ideia. Este tipo de onda é emitido por cada um dos habitantes da Terra incessantemente. Pode-se imaginar quão turbulenta é a dimensão onde transitam estas ondas, pois, de acordo com as últimas estatísticas, somos quase sete bilhões de habitantes neste Globo. Ainda que exista uma espécie de sintonizador inerente, inato, a cada um, servindo como proteção natural contra pensamentos mórbidos, ocorre, em nossos dias, um sobrepeso no grau de morbidez dos pensamentos, causado pelos fartos meios contemporâneos de multiplicação do teor mórbido em nome do avassalamento das vontades pessoais, em nome da continuidade do ‘establishment’, do ‘status quo’ !

Como podemos nos imunizar contra a interferência ruidosa – às vezes, ensurdecedora – destas ondas mentais?

Quanto mais afastados dos centros de alta densidade demográfica e quanto mais cercados por paisagens da natureza, melhores condições ambientais reunimos em favor desta imunidade.

Mas se somos obrigados a habitar em centros de alta densidade demográfica, qual alternativa nos resta? É necessário que cada um tenha a convicção de ser capaz de criar condições ‘in loco’ para ser uma ilha saudável isolada das tentativas de ser influenciado. Afastada deste jogo malsão de esconde-esconde. Porque há isolamentos que podem trazer malefícios. E há os isolamentos que trazem a companhia de outras ilhas, formando um vultoso e prolífero arquipélago.

LibaN RaaCh
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