sábado, 26 de novembro de 2011

Nau dos Insensatos



Com a impressão de termos percorrido um longo e desgastante caminho, agora chegamos à necessidade de travessia de um largo rio, e ficamos esperando...

Na esperança da balsa que irá nos conduzir para a outra margem, onde haveremos de encontrar aquilo que tanto almejamos por toda uma vida: o termo final dos nossos altos e baixos, das nossas “saídas e entradas do Ser”, o fim da intermitência no fluxo da bem-aventurança, a nossa Natureza Real enfim.

Aflitos permanecemos nesta margem do rio para, a qualquer instante, avistar o barqueiro trazendo a nau com a promessa de bálsamo definitivo às nossas inquietudes.

Porém, nem ao menos um sinal – ainda que longínquo – há do tal barqueiro.

E os dias passam... os meses passam... os anos passam... e o barqueiro não vem. A travessia vai ganhando ares de utopia, de algo irrealizável, à despeito dos relatos de todos aqueles que já a fizeram.

Conforme a pretensão em avistar a balsa vai perdendo a acuidade do sentido visual, devido ao decurso dos tempos, devido ao cansaço de nossas vistas, devido ao natural afrouxamento da agudeza de nossa mente, devido ao esgotamento de nossos ímpetos, devido ao desencanto em nossas miragens... em nossas tantas miragens de efeito inebriante... em nossas tão cândidas miragens de conseqüências amargurantes...

Conforme esta pretensão entra em decrepitude, tem início um movimento... um movimento tão despretensioso quanto surpreendente!

E desta beira do rio passamos a avistar, no espelho das águas, a balsa, o bálsamo e o barqueiro a sussurrar:
 — Aqui estive sempre... sempre... à espera desta irrupção!

LibaN RaaCh

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